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Thursday, March 02, 2006

Macau: Património Mundial

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Centro Histórico de Macau

O "Centro Histórico de Macau" constitui uma representação ainda existente do povoado histórico que marcou os primórdios da cidade, envolvendo legados arquitectónicos entrelaçados no tecido urbano original da mesma, que inclui ruas e praças, tais como o Largo da Barra, o Largo do Lilau, o Largo de Santo Agostinho, o Largo do Senado, o Largo da Sé, o Largo de S. Domingos, o Largo da Companhia de Jesus e o Largo de Camões. Estas praças principais e ambientes urbanos estabelecem a ligação entre uma sucessão de mais de vinte monumentos, que incluem o Templo de A-Má, o Quartel dos Mouros, a Casa do Mandarim, a Igreja de S. Lourenço, a Igreja e Seminário de S. José, o Teatro D. Pedro V, a Biblioteca Sir Robert Ho Tung, a Igreja de Santo Agostinho, o Edifício do Leal Senado, o Templo de Sam Kai Vui Kun, a Santa Casa da Misericórdia, a Igreja da Sé, a Casa de Lou Kau, a Igreja de S. Domingos, as Ruínas de S. Paulo, o Templo de Na Tcha, a Secção das Antigas Muralhas de Defesa, a Fortaleza do Monte, a Igreja de Santo António, a Casa Garden, o Cemitério Protestante e a Fortaleza da Guia (incluindo a Capela e Farol da Guia), sendo conhecidos no seu conjunto como “O Centro Histórico de Macau”.


Valor universal excepcional de “O Centro Histórico de Macau”

“O Centro Histórico de Macau” é o produto único de mais de 400 anos de intercâmbio cultural entre o mundo ocidental e a civilização chinesa.Este património arquitectónico, predominantemente de raiz europeia, ergue-se por entre construções de arquitectura tradicional chinesa no povoado histórico, evidenciando um notório contraste. “O Centro Histórico de Macau” constitui o conjunto arquitectónico de raiz europeia mais antigo, mais completo e mais bem consolidado que ainda se mantém intacto em solo chinês.

Porta de acesso entre o Oriente e o Ocidente
O estabelecimento de Macau por navegadores portugueses, em meados do Séc. XVI, lançou as bases de quase cinco séculos de contacto ininterrupto entre o Ocidente e o Oriente. As origens do desenvolvimento de Macau como porto comercial internacional fazem da cidade o único e mais consistente exemplo do intercâmbio cultural entre a Europa e a Ásia. “O Centro Histórico de Macau” coincide com o núcleo da área correspondente ao primeiro povoado ocidental no território, também conhecido como “cidade cristã” no contexto da história.A emergência de Macau com a sua dupla função de porta de entrada para a China e de janela da China Ming para o mundo, reflecte o relaxamento de certas restrições comerciais, combinado com um grau de abertura de espírito que proporcionou um caminho criativo para suprir o sistema tributário da China feudal, marcando um ponto de viragem na história tanto da China como da Europa. Macau, como primeira porta de acesso do Ocidente à China, foi notável no estabelecimento de uma rede de contactos que progressivamente possibilitaram o enriquecimento de ambas as civilizações em várias áreas do conhecimento e do desenvolvimento do espírito humano, tangíveis e intangíveis, num momento crítico da história. Durante quase três séculos, até à colonização de Hong Kong em 1842, a localização estratégica de Macau na foz do Rio das Pérolas significava que a cidade retinha uma posição única no Mar do Sul da China, assumindo um papel central no contexto de uma complexa rede de comércio marítimo, que trouxe grande riqueza e um fluxo constante de pessoas ao território. Pessoas de várias nacionalidades vieram para Macau, trazendo consigo as suas próprias tradições culturais e profissões, permeando o próprio modo de vida da cidade e influenciando, de forma tangível e intangível, os costumes da comunidade local. Estas influências tonam-se evidentes na introdução de tipologias de construção estrangeiras tais como fortalezas e outras estruturas arquitectónicas de estilo ocidental. Macau herdou também várias outras experiências culturais e influências regionais, desenvolvendo-as em conjunção com a cultura chinesa local e amalgamando-as, produzindo a textura rica que pode reconhecer-se no património excepcional da cidade. A exposição de Macau a culturas diversas durante este duradouro encontro entre os mundos oriental e ocidental, beneficiaram a cidade, dotando-a de um espólio patrimonial e cultural de extrema riqueza.

Pela primeira vez na China em Macau
Desde o final da dinastia Ming até ao início da dinastia Qing, missionários de diferentes ordens religiosas europeias, tais como os jesuítas, os dominicanos, os agostinhos e os franciscanos, entraram na China através de Macau, dedicando-se ao trabalho missionário e trazendo consigo uma certa influência cultural. Estes missionários foram responsáveis pela introdução de conceitos ocidentais de bem-estar social, tendo estabelecido os primeiros hospitais de modelo ocidental na China, dispensários, orfanatos e várias instituições de caridade. Foram igualmente responsáveis pela introdução da primeira prensa móvel a ser utilizada em solo chinês e pela publicação do primeiro jornal em língua estrangeira. Sendo Macau o ponto de partida para as missões jesuítas na China e noutras regiões da Ásia Oriental, os padres jesuítas que vinham prestar serviço na China, passavam sempre primeiro por Macau onde, no Colégio de São Paulo, aprendiam a língua chinesa e outras disciplinas do saber chinês, incluindo filosofia e religião comparada. Macau foi, assim, a base principal de preparação para a missão jesuíta na China e noutros pontos da Ásia. O Colégio de S. Paulo foi o maior seminário do Extremo Oriente naquela época, sendo aclamado como a primeira universidade de modelo ocidental na região. Mais tarde, outros contributos dos missionários cristãos em Macau incluem a produção do primeiro dicionário inglês-chinês e a primeira tradução chinesa da Bíblia, por Robert Morrison. O culto da Deusa A-Má em Macau teve origem em crenças populares de pescadores que viviam ao longo da costa sul da China. Devido à posição especial de Macau na mediação do intercâmbio cultural entre o Ocidente e o Oriente, o Templo de A-Má assumiu um papel proeminente como a mais antiga referência à devoção da Deusa A-Má no mundo exterior.

Um legado do encontro de culturas
Desde o momento em que os portugueses primeiro se estabeleceram em Macau que a cidade desenvolveu uma visível dualidade cultural que permanece até aos dias de hoje; esta acomodação cultural está patente na história da cidade, nas suas estruturas administrativas, assim como em características físicas como na arquitectura, jardins e espaços públicos. Este valioso legado cultural é evidente em formas tanto tangíveis como intangíveis, consubstanciando-se na mistura de estilos arquitectónicos de muitos dos monumentos, na tolerância religiosa, ou mesmo na fusão de tradições culinárias, reflexo de diferentes influências históricas e geográficas. Acima de tudo, deve realçar-se a extrema riqueza do legado intangível de Macau, entendido não apenas como um produto inerente à própria cidade, mas como um valor que resulta do longo intercâmbio entre a China e o resto do mundo, e, como tal, representa um conceito de significado bastante mais abrangente, assumindo-se como um legado cultural de valor universal excepcional.

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