My Irreversible Point of View

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Saturday, March 11, 2006

Muçulmanas com dois maridos

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A poliandria está a banalizar-se no Leste do Usbequistão. Forçados pelas dificuldades económicas, há homens que aceitam que a mulher arranje um segundo marido para sustentar a família. Mas também há casos de amor.

Nos últimos dois ou três anos, a poliandria ter-se-á tornado quase comum no Usbequistão. O facto de uma mulher casada ter um amante não tem nada de extraordinário em qualquer época ou cultura, mas a originalidade da prática usbeque actual é que a mulher pode estar casada com dois homens ao mesmo tempo. Se alguns dos "primeiros maridos" não conhecem o rival, outros há que estão ao corrente. Aceitam que a mulher esteja com outro, desde que ela não os abandone.
Goulmira vive em Andijan, na cidade de Boustan. Shakhobiddine, o pai dos seus quatro filhos, é funcionário público, mas ela está apaixonada por outro homem e casou com ele. O marido não ignora a situação nem a impede de ir encontrar-se com o segundo marido a qualquer momento. "Ele diz-me que eu posso viver com quem quiser, só me pede para não o abandonar", explica. Shakhobiddine mantém secretas as razões que o levam a aceitar esta situação. Goulmira afirma que ele não a satisfaz sexualmente. Dilmourod Kossimov, motorista no trajecto Andijan-Tashkent, garante conhecer muitas mulheres que têm dois maridos: "Não devemos julgá-las. Algumas têm o marido no desemprego e para sustentar a família precisam de conquistar as boas graças de um homem rico. Outras simplesmente não amam o marido. As situações são muito diversificadas. O ser humano só tem uma vida!".
Na opinião de muitas pessoas, a razão essencial desde fenómeno está relacionada com as condições materiais. Saïora Goulmatova, habitante da região de Andijan, trabalha no hospital local. O marido está no desemprego e o casal tem dois filhos. Saïora tornou-se a segunda mulher de Moukhamadjan Zoïrov, um homem de negócios que vive em Paitok. Mas não se divorciou do primeiro marido. Este segundo marido comprou-lhe um apartamento na cidade, facto que os vizinhos, colegas de trabalho e até os filhos e Saïora conhecem perfeitamente. Segundo uma das colegas, Makhfouza, "o marido de Saïora também está a par da situação, mas finge ignorar que a mulher vive com outro homem". Porque suporta este adultério? "Sobretudo porque ama a mulher. Por outro lado, não tem trabalho, não consegue sustentar a família. Ele sabe que se Saïora o abandonar terá dificuldades em se desenvencilhar. Além disso, sente-se incomodado em abordar o assunto e pensa nos filhos".

Antigamente, não só as mulheres usbeques tinham apenas um marido como até consideravam indigno casar uma segunda vez. Mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, as jovens que ficavam viúvas, com um ou dois filhos a cargo, não voltavam a casar. A poligamia é autorizada pelo Islão, mas apenas em determinadas condições. Nesta religião, o homem que tiver várias esposas deve tratar todas da mesma maneira. Quanto à poliandria, não é permitida. "É um comportamento adultério e elas terão de prestar contas por isso no outro mundo!", diz um ulema da religião.
O marido de Lobar Tourgounova, uma habitante de Namangan, trabalha em Tashkent. Vem a casa todos os meses ou de dois em dois meses para ver a mulher e os filhos. Lobar conhece o marido e sabe que ele não pode viver sem mulher. Autorizou-o a coabitar temporariamente com outra, desde que seja uma mulher casada, com receio que uma prostituta lhe transmita qualquer doença. Aos seus olhos, uma das razões da poliandria é que os homens têm medo das prostitutas de rua: receiam as infecções venéreas. "Mesmo na Europa cristã, ter vários maridos é amoral e na nossa fé muçulmana ainda é pior. Se uma mulher não ama o marido, só tem de se divorciar e casar com outro", defende um professor universitário de Andijan. "As mulheres podem perdoar ao marido por tê-las enganado, mas a maior parte dos homens não suporta que a mulher faça o mesmo". No Usbequistão, as pessoas abstêm-se de debater as causas da poligamia ou da poliandria. O costume de levar roupa suja em família também impede que se fale do assunto em voz alta. Todavia, mais tarde ou mais cedo, a sociedade vai ter de se preocupar com estas situações familiares não convencionais.


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