My Irreversible Point of View

Unfortunately freedom of speech is not totally respected in some parts of the world. That is why I decide to express my point of view in the name of those who are not allowed to express themselves. STAND UP, SPEAK UP! STOP THE TRAFFIK

Sunday, April 09, 2006

Será possível viver para sempre? Ou apenas prolongar a vida?


O recorde da longevidade humana é de 122 anos, mas há quem tenha horizontes mais ambiciosos: cientistas das universidades dos Estados Unidos da América, incluindo o Massachussets Institute of Technology, vêem na morte um problema a resolver e não uma inevitabilidade. Pretendem alcançar a vida eterna com soluções como pequenos robots que circulariam dentro dos órgãos, reparando-os. Há quem se entusiasme com esse cenário, mas outros acenam com os perigos de uma tal revolução. E, o que é curioso é que o nosso Saramago já tentou imaginá-la.

O futurologista Ray Kurzweil, nos anos 80, previa que a Internet cresceria e dominaria o mundo. E, de facto, isso aconteceu. Mas no livro o qual ele publicará brevemente, Kurzweil prevê que a próxima grande realização há-de ser nada menos do que a vida eterna. E não é só: ele tem a receita para isso. Simplesmente acho que nessa sua previsão reside um certo exagero, não tendo em conta as consequências se no caso a vida passar a ser eterna. "Digamos apenas que não planeio morrer tão cedo. (...) É só uma questão de passar de uma ponte para outra ponte", responde Kurzweil.
Kurzweil e Terry Grossman já descobriram algumas pontes para a vida eterna. A primeira é a utilização da informação hoje disponível para se manter nas melhores condições. Kuzweil afirma orgulhosamente que toma 250 suplementos dietéticos por dia. Faz também injecções intravenosas semanais de fosfatidilcolina 4, que diz que "rejuvenesce todos os tecidos do corpo, restaurando a juventude das membranas celulares jovens". E foge de todos os vícios, incluindo o café. A manutenção deste regime rigoroso mantém-lhe o corpo e a mente tão saudável como a de uma pessoa de 40 anos, a idade que prevê que será o seu estado eterno, à medida que passar de uma ponte para a outra.
A segunda ponte implica a realização de técnicas médicas já em desenvolvimento, como sejam testes genéticos para detectar se existe tendência para desenvolver cancro, determinar a sua propensão para se espalhar e quais as terapias mais adequadas.
E assim por adiante...

"Pensamos que o envelhecimento não será inevitável. Hoje, existem tecnologias que permitem retardar, bloquear ou talvez mesmo fazer regredir a decadência física e as doenças que cabem na definição de envelhecimento natural", diz Ronald Klatz, presidente da American Academy of Anti-aging Medicine.
"A ideia é viver indefinidamente. A morte é uma tragédia, uma tremenda perda de qualidade, talento e relações. A questão está em controlar o destino, indo para além das limitações biológicas", revela Kurzweil. Acrescenta ainda que "a nossa longevidade estará directamente ligada à fusão com a tecnologia, que conduzirá a um aumento do potencial criativo". Conclusão: "seremos seres híbridos (...) porque as pessoas consideram-se superiores às máquinas e pensam que isto é uma degradação".

Mas, pensem bem! Apesar dos investimentos volumosos e inéditos da ciência, no sentido de assegurar uma vida longuíssima, o facto é que viver até aos 200 ou 300 anos, ou mesmo até aos 1000 anos, seria uma tragédia para todos.
A imortalidade acarreta consequências nada agradáveis. Ela destruiria definitivamente a família, com a proliferação de divórcios, e a carreiras universitárias, com professores eternos. Destruiria a substituição dos políticos. Um inferno. Mesmo prescindindo da imortalidade, o mero prolongamento da vida coloca problemas angustiantes. A competição entre desejos e necessidades "invejosas" intensificaria as frustrações e a agressividade. Como diz o biólogo Edoardo Boncinelli, "não fará sentido viver 150 anos se os últimos 70 ou 80 não valerem a pena".
Contudo, o que é preciso é construir uma sociedade mais solidária e menos competitiva.

Segundo José Saramago, in As Intermitências da Morte, a morte é um grande negócio e nem sempre muito limpo. (...) Se a morte desaparecesse de repente, se a morte deixasse de matar, muita gente entraria em pânico: agências funerárias, seguradoras, lares de terceira idade... e isto sem falar no Estado, que não conseguiria pagar as reformas. (...) É melhor pensar que a morte não é uma entidade nem uma senhora que está lá fora à nossa espera e sim que está dentro de nós, que cada um de nós a leva dentro de si e que quando o corpo e ela se põem de acordo, acabou-se... (...) É que a imortalidade será um horror. Ainda que vivêssemos 20 anos de infância, 50 de adolescência e 80 ou 90 de idade madura, a velhice acabaria por chegar e, a partir daí, começaria o drama. Alguém consegue imaginar uma velhice eterna? É melhor não imaginar essa velhice extrema, é melhor pensar que morrer não é um acto heróico mas uma coisa trivial. (...) O problema da Igreja é que ela precisa da morte para viver. Sem morte não poderia haver Igreja porque não haveria ressureição. As religiões cristãs alimentam-se da morte. (...) Parece cruel mas, sem a morte e a ressureição, a religião não poderia continuar a dizer que temos de nos portar bem para viver a vida eterna do outro lado. Se a vida eterna estivesse do lado de cá...

Após as reflexões de alguns autores sobre a questão da vida eterna ou imortalidade, por fim declaro-me CONTRA A ETERNIDADE!!
Na minha opinião, a vida tem de ter um princípio e um fim. A vida é como uma história (com princípio, meio e fim). Se retirássemos o fim, a vida perderia todo o seu sentido. Esse fim existe precisamente para proporcionar ao ser humano o descanso eterno, longe de todos os problemas que reinam num lugar chamado Terra.

3 Comments:

  • At April 19, 2006 9:16 PM , Blogger Mephisto said...

    Concordo em absoluto contigo. Além disso eu acho que enlouquecia na falta de um fim... ninguém resiste à erosão dos tempos. Aguentamos muitas coisas, mas isso ñ creio.
    Além disso tenho mtas dúvidas acerca do q diz o sr. Ronald Klatz. Convém salientar q ele está numa posição de vender o seu produto, logo haverá ali uma ponta (pelo menos) de facciosismo.

     
  • At January 16, 2008 1:49 PM , Anonymous Marcos said...

    A vida eterna será uma opção, mas não obrigatória. Vocês proibiriam esta escolha? Marcos, Inglaterra.

     
  • At January 18, 2008 5:53 PM , Blogger ĐαηιεŁα Ġσmεs said...

    Quem é que proibiu tal escolha? Que eu saiba, ninguém proibiu nem deixou de proibir...
    Trata-se, no fundo, de uma mera opção pessoal. É óbvio que todos terão as respectivas opções, independentemente do sim e do não.

     

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