My Irreversible Point of View

Unfortunately freedom of speech is not totally respected in some parts of the world. That is why I decide to express my point of view in the name of those who are not allowed to express themselves. STAND UP, SPEAK UP! STOP THE TRAFFIK

Saturday, June 24, 2006

A crise da natalidade na Europa

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Os baixos índices de fecundidade nos países desenvolvidos, nomeadamente no continente europeu, não constituem novidade para ninguém. Todos nós sabemos que, para garantir a renovação das gerações, é necessário que o número médio de filhos seja de 2,1 por mulher. Enquanto em África uma mulher possui, em média, 6 filhos, as mulheres ocidentais possuem apenas 1,4 filhos. Assim sendo, os governos dos países ricos manifestam-se bastante preocupados com isso, criando campanhas de incitação à procriação.
Mesmo que o Estado venha a conceder maiores subsídios às famílias numerosas, será que a renovação das gerações será garantida a longo-prazo? Duvido.
Ora, um tal Phillip Longman, investigador, apresenta uma proposta, a qual acho ridícula, associada ao retrocesso da evolução espécie humana: o regresso ao patriarcado, que valoriza a procriação, a sujeição da mulher e a manutenção das linhagens. De certa forma, tal proposta revela um certo egoísmo e sexismo por parte de Longman, visto que não é ele que terá a capacidade de procriar mas, certamente, a sua esposa ou namorada (isto se ele o tiver, porque creio que nenhuma mulher inteligente e qualificada do século XXI quererá um homem que defenda a proposta de Longman).
Se os países ricos e, de certo modo, alguns pobres, estão perante uma crise de renovação das gerações, certamente isso teria que acontecer, mais cedo ou mais tarde, após a emancipação da mulher e a revolução do Maio de 68. Além disso, eis o surgimento da contracepção, nomeadamente a pílula e o preservativo, que permite que um casal tenha, em princípio de forma responsável, relações sexuais sem que a mulher engravide. O ser humano deve satisfazer as suas necessidades básicas, até certo ponto, sem a interferência da sociedade ou (a)moral.
Um caso bastante despótico e extremista refere-se ao facto de o governador americano Mike Rounds ter acabado de proibir o aborto no Dakota do Sul, inclusive em caso de violação. "A vida de uma criança não deve depender do livre arbítrio da mãe, mas da vontade do povo", afirma. Senhor Governador Mike Rounds: vossa excelência faz essa afirmação porque não faz a mínima ideia como se procria, pois o senhor não tem essa capacidade e nunca a terá, excepto sua esposa.
É mais que óbvio que uma mulher que venha a engravidar de um violador queira abortar! Eu faria o mesmo. Porque, embora a criança não tivesse culpa de nada, ela nunca seria o fruto do amor entre dois indivíduos mas, sim, de um acto selvagem e desumano. Mike Rounds, peça a sua demissão!
É precisamente graças à contracepção, à empowerment e ao dinheiro que ganham que as mães podem decidir o número de filhos que querem. Ninguém coloca no mundo uma criança para assegurar a sua reforma ou a renovação da população em causa. O acto de ter uma criança é, antes de mais, uma questão pessoal, com pesadas consequências.

Eu não mudarei a minha maneira de viver e os meus planos só porque alguns investigadorzecos proclamam a irremediável necessidade do patriarcado. Só porque eu quero ter apenas uma ou nenhuma criança serei penalizada? Francamente! Sou uma mulher instruída, tomo decisões e sou adepta do matriarcado. Quem toma decisões relativamente à vida reprodutiva é a mãe. A função do pai consiste em respeitar a decisão da mulher e partilhar com ela a educação da(s) criança(s). A mulher parideira já não existe no mundo moderno. Existe, sim, a mulher mãe, conselheira, profissional e independente.
Os tempos mudam e a tendência é para se seguir sempre em frente. E nada impedirá essa tendência.

4 Comments:

  • At June 26, 2006 4:44 PM , Blogger Alda M. Maia said...

    Sempre batalhadora em relação a estes problemas! Bravíssima!
    Posso discordar, ligeiramente, de uma afirmação na última parte do teu post? Transcrevo: "A função do pai consiste em respeitar a decisão da mulher e partilhar com ela a educação da(s) criança(s)"
    Não achas que, em vez de limitar-se a respeitar a decisão da mulher, deveriam tomar todas as decisões, responsavelmente, de comum acordo? A harmonia dos pais seria o melhor auspício para a perfeita criação e ducação dos filhos, não te parece?
    Quanto ao conservadorismo, retrógrado e quase cavernícola de certos indivíduos, só merecem piedade por tão grande tacanhez de ideias.
    Um abraço
    Alda

     
  • At June 26, 2006 6:24 PM , Blogger Danielik said...

    Sim, Alda, de facto eu errei ao ter me esquecido de mencionar isso que acabaste de dizer. Como a amnésia nos afecta a todos. lolol :P
    Obrigada pela essa tua "correcção" (pois é mesmo para isso que servem os diálogos ou debates).
    Abraços da Dani :)

     
  • At June 29, 2006 8:40 AM , Blogger Manoel das Couves said...

    Desde que a seguir apresentem propostas de Referendo em relação à legalização dos casamentos homossexuais e das relações poligâmicas, estou de acordo com resolução da questão do aborto através de Referendo.

    Ou, quando chegar o momento de decidir acerca de casamentos entre indivíduos do mesmo sexo, não vai haver referendo?

    E podiam fazer também um referendo acerca do TGV e do Aeroporto da Ota, outro sobre a proibição de fumar nos restaurantes, outro para decidir se os portugueses querem receber menos dinheiro de Reforma, outro sobre... outro...

    Expliquem-me lá - como se eu fosse muito, muito, muito burro - se nem a adesão de Portugal à CEE nem a Constituição da República (na sua versão original ou mas subsequentes revisões) foram sujeitas a Referendo, porque carga de água a Regionalização e o Aborto têm de ser referendados?

    Náo somos ouvidos nem achados nos alicerces mas querem a nossa opinião sobre o telhado?

    Manuel F. Ribeiro
    AbaNação

     
  • At July 08, 2006 1:17 AM , Anonymous jnall said...

    O objectivo de escolher um governo é dar-lhe o poder de tomar decisões em nome de um país. Para mim, não faz sentido fazer referendos por tudo e por nada. Claro está que, na verdade, o nosso sistema político está longe da perfeição. Quando um governo chega ao poder altera quase por completo os objectivos pre-eleitorais.

     

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