My Irreversible Point of View

Unfortunately freedom of speech is not totally respected in some parts of the world. That is why I decide to express my point of view in the name of those who are not allowed to express themselves. STAND UP, SPEAK UP! STOP THE TRAFFIK

Saturday, August 05, 2006

澳門 (Ou Mun)

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A pedido de uma cara senhora, Alda Maia, eis assim o artigo sobre Macau de Eduardo Prado Coelho.


Desilusão com Macau

É claro que o defeito é meu, mas tive a maior dificuldade em adaptar-me a Macau. O fascínio oriental, a sensualidade dos lugares e dos gestos, essa atmosfera de In The Mood for Love está longe de corresponder à realidade que encontrei. Que é que fui descobrir? Milhares de chineses que invadiam o hotel em hordas ruidosas, e havia excesso de gente em todo o lado. Aqui nada de novo: o número excessivo lá estava, minando a tranquilidade de cada lugar. Com excepções. Fui amavelmente convidado para um lindíssimo restaurante tailandês onde tudo murmurava serenidade e havia a presença surda das ondas do mar em pano de fundo sonoro. Ali reinava a calma, a tranquilidade, uma espécie de harmonia, que faltava em tantos lugares de Macau que fui vendo todos os dias.
Há aqui uma questão de escala. A arquitectura é quase sempre esmagadora e sentimos o pouco que somos andando pelas ruas - bicho da terra vil e tão pequeno. Depois, há os casinos, porta sim, porta não. Procuram ser deslumbrantes e são a apoteose do kitsch na sua dimensão mais obscena. Ora o kitsch é a manifestação do mal, como sublinhou Broch e como vimos comentado num livro magnífico recente de Filomena Molder: O Absoluto Que Pertence à Terra (Vendaval). E uma sociedade dominada pelo jogo e a prostituição não é certamente o território do bem. Podemos ver ruínas romanas ao lado de uma montanha que parece de papelão a anteceder uma incrível reconstituição que se assemelha a Portugal dos Pequenitos. Um pavor, um pesadelo de lama visual.
Os chineses de Macau não falam nem entendem o português. Tantos anos de presença e o resultado é este: tirando aqueles que estudam português, os outros não percebem uma palavra da nossa língua. É verdade que também não falam inglês. Porque turisticamente não parecem ter necessidade. Mesmo no hotel, regressamos a uma linguagem gestual que está na origem dos piores mal-entendidos.
Isto não pode fazer esquecer o esforço generoso daqueles que ensinam aqui o português. Mas é pouco.
Há também as pessoas: as vozes são esganiçadas e contundentes, criando uma atmosfera de permanente agressão. As mulheres parecem tábuas de engomar com aquele andar de patas-chocas que define a gravidez avançada. Apesar de mini-saias frequentes, não há nelas (e também não há neles) a menor sensualidade. Há sociedades, como a italiana, em que a libido se desencadeia em todos os lugares, da paisagem às pessoas. Aqui, é o contrário. Tudo isto funciona mecanizadamente e por vezes de uma forma bruta e desagradável. E, por fim, aquilo que é o encantamento parisiense (ruas com belíssimos cafés com espelhos e madeiras) não existe por estas bandas. Andamos avenidas intermináveis e não há um só lugar que nos permita ver passar as pessoas e olhar as nuvens que se acumulam.
O calor e sobretudo a humidade criam um sentimento de opressão que pode ser insuportável. Sentimos a desolação de sociedades assim, onde a doçura de viver ou o ideal do socialismo se deixaram contaminar pelo lucro desmedido e a incomunicabilidade generalizada.

Eduardo Prado Coelho


Já agora, eis as reacções de dois jornalistas portugueses residentes em Macau:

Jornal HOJE Macau

Jornal Ponto Final

E a minha reacção aqui!


澳門, amo-te!
Macau, Terra Minha!

2 Comments:

  • At August 06, 2006 1:45 AM , Blogger Alda M. Maia said...

    Já tinha lido o artigo. Recordo, ao lê-lo, que me provocou uma péssima impressão, embora me agrade o que escreve Prado Coelho e leio-o regularmente.
    Relendo-o, francamente, acho-o grosseiro e muito indelicado com as gentes e a terra visitada - Macau.~
    Gostei muito do artigo do jornal Ponto Final Macau. Excelente!
    Agradeço-te teres aceitado a minha sugestão. Penso que muitos teus conterrâneos lerão o teu blogue: assim, ficam mais informados sobre esta justa polémica.
    Um grande abraço
    Alda

     
  • At September 17, 2006 3:06 PM , Blogger Pedro Viegas said...

    Cara colega ISCSPiana, é com grande agrado que leio o teu artigo no jornal ponto final. Desde já, sinto-me na obrigação de, pedir desculpa, em nome dos portugueses por um artigo escrito por um senhor, que de Português não deve ter nada.
    O sentimento que tenho vindo a presenciar em relação à Asia, e em Macau em particular, é o de um enorme respeito por uma terra que esteve sempre no nosso coração e que, pelo menos em mim, e nos meus amigos mais próximos, desperta uma imensa curiosidade e uma imensa vontade de conhecer. No entanto reconheço que este sentimento não é partilhado por todos, e isso é algo que me faz imensa confusão, como podemos cuspir no prato que comemos? Será por ter conhecido Portugueses de Macau, por ter ouvido maravilhas dessa terra, que sendo multiculturalista, é obviamente muito mais rica que outra que não o são? Não sei, sei simplesmente que adorava conhecer essa terra que te viu nascer. Cumprimentos ISCSPianos.
    Pedro Viegas

     

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