My Irreversible Point of View

Unfortunately freedom of speech is not totally respected in some parts of the world. That is why I decide to express my point of view in the name of those who are not allowed to express themselves. STAND UP, SPEAK UP! STOP THE TRAFFIK

Thursday, September 20, 2007

1971: Terceira Guerra Indo-Paquistanesa

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O conflito indo-paquistanês de 1971 surgiu na sequência da Guerra de Libertação do Bangladesh, na qual estiveram envolvidos as forças do Paquistão Oriental (a minoria dominante) e os paquistaneses orientais[1]. A Guerra de Libertação do Bangladesh entrou em erupção após as eleições paquistanesas de 1970, marcadas pela vitória da Liga Awami[2].
Em inícios de 1971, quando o sheikh Mujibur Rahman, líder e fundador da Liga Awami, se preparava para formar um governo no Paquistão Oriental, o presidente paquistanês General Yahya Khan deu ordem às tropas paquistanesas, compostas sobretudo por paquistaneses ocidentais, para aí se instalarem na cidade de Dhaka (actualmente, capital do Bangladesh). Após uma vaga de detenções de alguns colaboradores da Liga Awami em 25 de Março de 1971, esta foi banida e Mujibur Rahman foi preso tendo, por conseguinte, sido levado para o Paquistão Ocidental. Além disso, muitos membros da liga foram obrigados a exilarem-se no país vizinho, a Índia.
Em 27 de Março, um conjunto de militares rebeldes, pertencentes às forças armadas bangladeshis, declararam, em representação do sheikh Mujibur Rahman, a independência do Bangladesh face ao Paquistão. Consequentemente, foi criado um grupo vasto de guerrilhas – o Mukti Bahini –, composto sobretudo por civis e apoiado pelos membros [detidos e exilados] da Liga Awami, cujo principal objectivo era afastar, juntamente com as forças armadas bangladeshis, a minoria paquistanesa do poder. E assim começou a guerra civil do Bangladesh.
Demonstrando o seu apoio à causa bangladeshi, a Primeira-Ministra indiana, Indira Ghandi, decidiu solidariamente “abrir as portas” aos refugiados bangladeshis[3] e, através do exército indiano, proporcionar treino militar às guerrilhas do Mukti Bahini. A guerra civil bangladeshi atingiu o seu auge quando o Mukti Bahini colocou em marcha uma série de operações[4] que, tendo como principal alvo as forças armadas paquistanesas, possibilitaram o avanço e o consequentemente controlo de vastas regiões por parte do grupo guerrilheiro.
Consciente da forte possibilidade de eclodir uma terceira guerra entre indianos e paquistaneses, Indira Ghandi assinou, em 9 de Agosto, um tratado de paz e cooperação com a União Soviética afim de garantir o não envolvimento da República Popular da China, forte aliado do Paquistão, nessa possível guerra. Assim, a Índia passaria a ser apoiada pela URSS, ao passo que o Paquistão passaria a receber apoio militar por parte dos Estados Unidos.
Um mês antes da guerra, as forças indianas concentraram-se em territórios que faziam fronteira com o Paquistão, e as forças paquistanesas na fronteira com a Índia.
Na noite de 3 de Dezembro, a força aérea paquistanesa, sob as ordens de Y. Khan, bombardeou as principais bases aéreas indianas, dando início à terceira guerra indo-paquistanesa. Um elemento característico e notório nesta guerra foi precisamente o elemento surpresa, aplicado sobretudo pela Índia. De facto, as forças armadas indianas não eram apenas dotadas de uma inteligência estratégica extraordinária como também tinham fortes motivos para empreender ataques de grande dimensão ao inimigo.
Após os primeiros ataques empreendidos pelo Paquistão, a Índia revelou-se aparentemente incapaz de enfrentar o inimigo, no sentido de [tentar] criar à volta deste um ambiente de ilusão que o convencesse de que estaria bastante próximo de uma (pseudo) vitória. Ilusoriamente convicto na derrota indiana, o Paquistão foi muitas vezes apanhado de surpresa, o que implicou que a Índia marcasse mais pontos a meio do conflito. Para debilitar ainda mais a nação paquistanesa, o exército indiano e o Mutki Bahini resolveram juntar-se[5], bombardeando a zona fronteiriça do Paquistão Oriental e atacando as tropas paquistanesas aí presentes.
Perante a fragilidade do país vizinho, e apesar dos contra-ataques efectuados pelo mesmo, a Índia conseguiu, através de sucessivos avanços e recuos, absorver uma boa parte dos territórios pertencentes à Pakistan-administred Kashmir. Desiludido, o General Yahya Khan demitiu-se do poder e foi posteriormente substituído por Zulfiqar Ali Bhutto.
No dia 16 de Dezembro, as forças paquistanesas renderam-se e o Bangladesh viu finalmente reconhecida a sua independência. No dia seguinte, Indira Ghandi apelou a um cessar-fogo unilateral, igualmente cumprido pelo Paquistão.
O conflito terminou oficialmente com a assinatura do Acordo de Simla, em 3 de Julho de 1972, por ambas as partes. O acordo estabelecia o seguinte:

«That the principles and purposes of the Charter of the United Nations shall govern the relations between the two countries;
____________________________(…)
That the two countries are resolved to settle their differences by peaceful means through bilateral negotiations or by any other peaceful means mutually agreed upon between them. Pending the final settlement of any of the problems between the two countries, neither side shall unilaterally alter the situation and both shall prevent organization, assistance and encouragement of any acts detrimental to the maintenance of peaceful and harmonious relations;
___________________________(…)
In Jammu and Kashmir, the Line of Control resulting from the ceasefire of December 17, 1971, shall be respected by both sides without prejudice to the recognized position of either side. Neither side shall seek to alter it unilaterally irrespective of mutual differences and legal interpretations. Both sides further undertake to refrain from threat or the use of force in violation of this Line»
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Note-se que o acordo não deixa de dar relevância à questão da Linha de Controlo, estabelecida em 1947 entre Jammu e Caxemira e às regiões de administração paquistanesa. De facto, a Linha de Controlo é frequentemente vista como sendo uma fronteira permanente entre as duas nações, embora o Paquistão a considere temporária, pendente a uma solução. Apesar de ambos os Estados se comprometerem a abster-se do uso da força para violar a linha, a resolução definitiva do conflito indo-paquistanês foi adiada, visto que subsistiam imensas divergências relativamente à interpretação do acordo.

[1] Embora tivessem em comum a religião islâmica, o Paquistão Ocidental e o Paquistão Oriental, separados pela Índia por cerca de 1.600 quilómetros, apresentavam entre si uma série de diferenças, nomeadamente no campo cultural, étnico, económico e no idioma. A língua mais falada no Paquistão Oriental era o urdu, ao passo que no Paquistão Oriental era o bengali, tal como na actualidade.

[2] A Liga Awami corresponde ao partido do povo do actual Bangladesh.

[3] Estima-se que, durante a guerra civil do Bangladesh, o número de refugiados rondou os dez milhões.

[4] Estas operações eram muito parecidas com a Operação Gibraltar e à Operação “Grand Slam” da guerra de 1965.

[5] O objectivo era formar o Mitro Bahini, isto é, as “Forças Aliadas”.

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