My Irreversible Point of View

Unfortunately freedom of speech is not totally respected in some parts of the world. That is why I decide to express my point of view in the name of those who are not allowed to express themselves. STAND UP, SPEAK UP! STOP THE TRAFFIK

Friday, September 21, 2007

1999: Quarta Guerra Indo-Paquistanesa

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Nos finais da década de 90 houve um agravamento das relações, já tensas, entre a Índia e o Paquistão por ocasião da corrida às armas nucleares[1] e, mais tarde, da eclosão de um quarto conflito armado (a Guerra de Kargil).
Em Fevereiro de 1999, três meses antes do conflito, Atal B. Vajpayee e Nawaz Sharif reuniram-se na cidade paquistanesa de Lahore, dando início a uma série de conversações em torno da questão da paz. Foi assinada, no final da reunião, a Declaração de Lahore[2], cujas disposições apontavam para um fortalecimento do diálogo bilateral e de esforços no sentido de resolver as respectivas divergências, incluindo a questão de Caxemira, e de não intervir nos assuntos internos de cada uma das partes, reduzindo assim o risco de uma guerra nuclear.
No entanto, esta iniciativa de paz rapidamente se tornou um fracasso quando, semanas após a assinatura da declaração, grupos separatistas caxemirenses e guerrilheiros islamitas, atravessando para além da Linha de Controlo, invadiram o distrito de Kargil, uma zona montanhosa e de difícil acesso situada na Indian-administred Kashmir. À medida que as semanas iam passando, variadíssimas operações eram postas em prática em Kargil pelos respectivos infiltradores, no sentido de desafiar o domínio indiano na região, tentando derrubá-lo de vez. Quando, em Maio de 1999, Atal B. Vajpayee teve conhecimento deste processo infiltrador, foi lançada uma outra operação (a Operação Badr), de maior dimensão, que acabou por dar início à quarta guerra indo-paquistanesa.
De facto, a guerra de Kargil deve ser analisada tendo em conta três fases sequenciais: em primeiro lugar, a “captura” paquistanesa de territórios estrategicamente vitais pertencentes à Caxemira indiana; em segundo, a protecção de estradas de grande importância estratégica por parte das forças indianas; e, em último lugar, o recuo das tropas paquistanesas e dos respectivos infiltradores da região.
Devido aos Invernos rigorosos em Caxemira era bastante frequente o abandono da maioria dos postos por parte das tropas indianas e paquistanesas até à chegada da Primavera. Só a partir de então as tropas de ambas as facções retomaram as suas lutas, reocupando os territórios que anteriormente tinham sido abandonados. Deste modo, durante o mês de Maio, Kargil encontrava-se submerso numa grande onda de violência, caracterizada simultaneamente pela ocupação forçada das tropas paquistanesas[3] e pelas actividades de carácter subsersivo, ou simplesmente guerrilhas, praticadas pelos separatistas caxemirenses e pelos mujahideen afegãos[4]. A resposta da Índia foi imediata: as forças armadas (compostas por cerca de duzentos mil homens) e força áerea indianas envolveram-se numa operação, que recebeu o nome de Operação Vijay, com o objectivo de “empurrar” os inimigos para os confins da Linha de Controlo, impedindo-os de se aproximarem, uma vez mais, da Caxemira indiana.
Para que fosse assegurado o recuo definitivo do inimigo, a Índia resolveu proteger e controlar a Auto-Estrada Nacional 1 (National Highway No. 1 – NH 1), embora aqueles tenham lançado vários ataques em direcção à estrada. De facto, a respectiva auto-estrada constituía um “bem” de grande valor, dada a sua importância estratégica, visto que fazia a ligação entre as cidades de Leh, a leste de Jammu e Caxemira, e Srinagar, a oeste, passando pelo distrito de Kargil. Além disso, a NH 1 era frequentemente utilizada para o transporte de material de guerra, incluindo pequenas e médias granadas.
Em meados de Junho, as tropas e infiltradores paquistaneses começaram a sentir alguns sinais de dificuldade em enfrentar as forças indianas que rapidamente iam ganhando cada vez mais o seu terreno. Apesar das temperaturas negativas, as montanhas de Kargil foram recuperadas, com sucesso, pelos indianos na sequência do lançamento sucessivo de fortes ataques e de granadas em direcção ao inimigo. Revelando-se cada vez mais frustrado e impotente, o Paquistão chegou mesmo a pensar que a única hipótese em se impor à Índia seria a de lançar um ataque nuclear. Isto acabou por não acontecer devido às duras objecções por parte dos Estados Unidos, que ameaçaram deixar de exercer todo o tipo de apoio ao Paquistão caso este não cedesse.
Consciente de que não havia mais volta a dar, Nawaz Sharif ordenou a retirada das tropas paquistanesas de Kargil, apesar das contestações por parte de alguns militares e extremistas islâmicos. Tirando partido da retirada paquistanesa, as forças indianas lançaram um ataque final na última semana de Julho, “expulsando” todos os grupos jihadistas presentes no território. A guerra terminou oficialmente em 26 de Julho, assinalando-se assim o Kargil Victory Day em plena Índia, a qual passou a assumir total controlo sobre Kargil e arredores, anteriormente ocupados pelos paquistaneses.

[1] Os testes nucleares realizados pelo Paquistão, cujo principal objectivo era a Índia, constituíam um signal claro de que o relacionamento entre ambos estavam em risco, não havendo nenhuma outra hipótese senão a de resolver as suas divergências pela força. Tal como refere Jasjit Singh, na obra Kargil 1999: Pakistan’s Fourth War for Kashmir, p.126, “(...) any war between India and Pakistan would almost inevitably result in a nuclear exchange”.

[3] Para além de a Índia a considerar ilegal, a ocupação paquistanesa em Caxemira foi sempre vista como sendo um acto de agressão.

[4] Ver Paul Bowers, cit., p. 22. O autor afirma que “the involvement of jihadist groups led to the presence of some fighters from the wider Muslim world, possibly including members of Al-Qaeda, although the majority were Pakistanis”.

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