My Irreversible Point of View

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Wednesday, February 27, 2008

Classificação das Guerras

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As guerras podem ser classificadas de acordo com vários critérios.
Segundo Abel Cabral Couto, na sua obra "Elementos de Estratégia: Apontamentos para um Curso" (1989), as guerras podem verificar-se entre Estados (ou coligações de Estados) ou no interior dos próprios Estados. Daqui resulta uma primeira grande classificação das guerras em internacionais e internas. Um segundo critério respeita ao nível ou intensidade da coacção.
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1. Guerras internacionais
O conjunto de todas as formas que as guerras podem assumir, em função do grau de intensidade de emprego da violência, pode ser considerado como o ESPECTRO DA GUERRA (ver figura 1). Aquelas formas possuem características políticas, psicológicas e técnicas específicas.


Num dos extremos do espectro situam-se aqueles conflitos em que os Estados exercem quaisquer formas de coacção da acção militar efectiva. Este tipo de guerra denomina-se guerra fria. O outro extremo do espectro representa o emprego da força militar sem quaisquer restrições, ou seja, a chamada guerra nuclear ilimitada.
Para uma potência nuclear, entre estes dois extremos situa-se uma vasta gama de níveis de violência que, para essa potência, constituem formas de guerra limitada, a qual engloba a guerra clássica ou convencional e a guerra nuclear limitada.
Acima do nível da guerra fria, a acção militar tem um carácter efectivo e não apenas potencial. Os conflitos em que a acção militar passa a ter um carácter efectivo constituem, genericamente, a guerra quente.
A crise internacional corresponde a uma situação de guerra fria de tal forma agudizada que pode degenerar numa guerra quente.
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a) Guerra fria

Na guerra fria, a coacção reveste as formas de acção económica, psicológica, diplomática e política no interior do adversário, combinada com o eventual aprontamento e movimentação de meios militares e com a ameaça potencial da acção militar. Este nível pode ainda subdividir-se em outros dois: a intervenção insidiosa e a intervenção aberta.
A intervenção insidiosa engloba acções muito próximas das práticas diplomáticas normais de "tempo de paz", mas conduzidas com uma intenção estratégica bem definida e, por conseguinte, originando também consequências políticas importantes. Este nível poderá compreender: acções diplomáticas (declarações, negociações); acções de política interna (apoio financeiro a personalidades, partidos políticos, jornais ou outros meios de pressão, com vista a uma mudança de atitude ou a uma substituição do governo; introdução de agentes de espionagem e sabotadores; etc.); acções psicológicas (propaganda subversiva); e acções económicas (restrições de crédito, etc.).
A intervenção aberta corresponde a uma tomada de posição pública, podendo englobar o acolhimento e o reconhecimento de governos no exílio, boicotes ou sanções económicas, corte de relações diplomáticas, o fornecimento de armas, de instrutores, de auxílio financeiro, etc.
Mesmo na guerra fria, as forças militares desempenham um papel importante. Assim, por exemplo, a mobilização de reservas ou o deslocamento de forças operacionais podem dissuadir o adversário de recorrer à força militar ou levá-lo a negociar; a simples presença de forças militares pode estabilizar a situação e evitar a eclosão de um conflito armado, etc.
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b) Guerra clássica ou convencional
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A guerra clássica comporta essencialmente o emprego de meios militares, com excepção de meios nucleares, combinado com acções de guerra fria e, eventualmente, com ameaças de extensão da guerra ao nível nuclear.
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c) Guerra nuclear
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A guerra nuclear caracteriza-se pelo emprego de armas nucleares, combinado com acções clássicas e de guerra fria e, ainda, com ameaças de um mais intenso ou extenso emprego de armas nucleares. Nela se podem ainda distinguir dois graus de intensidade da violência: a guerra nuclear limitada e a guerra nuclear ilimitada.
A guerra nuclear limitada envolve o emprego de armas nucleares apenas de natureza táctica, por um ou ambos os contendores, em virtude de restrições deliberadas por parte daqueles contendores, circunscrevendo-se o emprego daquelas armas a objectivos militares no campo de batalha.
A guerra nuclear ilimitada é um conflito armado no qual potências ou coligações nucleares adversárias empregam, sem restrições, todos os meios de que dispõem. É caracterizada por ataques com armas nucleares de cisão e fusão contra objectivos profundamente situados nas retaguardas do adversário, em especial contra os sistemas de lançamento de armas nucleares estratégicas e contra os grandes complexos económicos e psicológicos, isto é, centros populacionais e industriais mais importantes.
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2. Guerras internas
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Podem considerar-se quatro formas principais de acções violentas no campo interno, visando a conquista do poder pela força: as revoluções, os golpes de Estado, as revoltas militares e as guerras subversivas. As guerras internas, embora se desenvolvendo sempre no interior de um Estado e adquiram sempre a aparência de um problema interno, podem, na realidade, ou ser exclusivamente internas, ou ser de origem interna e apoiadas do exterior, ou ser fomentadas e impulsionadas fundamentalmente do exterior.
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a) Revolução
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Uma revolução é um levantamento popular explosivo-súbito, breve, incontrolado e não planeado (França, 1789 e 1968; Portugal, 1974; Geórgia, 2003; Ucrânia, 2004; Quirguistão, 2005). É um "acidente", que pode ser explicado à posteriori, mas dificilmente previsível. O mais que se pode notar é a existência de um "clima" favorável a uma situação revolucionária, embora não se possa prever como e quando a explosão ocorrerá.
Numa revolução as massas populares começam a agitar-se e a movimentar-se e só depois aparecem os chefes, a procurarem orientar os movimentos e a explorar as oportunidades que se oferecem.
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b) Golpe de Estado
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Um golpe de Estado é uma acção clandestina de um grupo restrito contra a autoridade de facto e em que aquele grupo, actuando com rapidez a aniquilando ou neutralizando determinadas personalidades que desempenham funções de chefia fundamentais, consegue ocupar posições-chave e apoderar-se do poder. É uma acção que não envolve as massas, isto é, é a acção de uma elite. Embora os preparativos de um golpe de Estado possam ser demorados, a sua execução é rápida e súbita.
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c) Revolta militar
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Trata-se de um levantamento militar, em que a totalidade ou uma fracção importante das forças militares procura derrubar pela força a autoridade de facto. É, mais uma vez, uma acção de elites.
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d) Guerra subversiva
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É a luta conduzida no interior de um território, por parte da população, ajudada e reforçada ou não do exterior, contra a autoridade de direito ou de facto, com o fim de lhe retirar o controlo desse território ou, pelo menos, de paralisar a sua acção. É uma luta prolongada, conduzida metodicamente, por forma a obterem-se objectivos intermédios específicos que levam, finalmente, à conquista do poder.
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À excepção da revolução pura, todas as outras formas referidas constituem acções planeadas, coordenadas e orientadas. A escolha da forma de acção, isto é, do método a adoptar para a conquista do poder depende, fundamentalmente, do poder da autoridade de facto e do grau em que o poder político controla o poder militar. Assim, o golpe de Estado e as revoltas militares só podem aspirar ao sucesso quando dirigidas contra governos fracos ou em crise.
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Silviu Brucan considera que os conflitos obedecem à seguinte classificação:
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1. Rivalidades estratégicas e o jogo das grandes potências.
2. Conflitos que resultam das diferenças ao nível do poder militar, da superfície terrorial e da população.
3. Conflitos que resultam de situações de dependência económica e tecnológica.
4. Conflitos baseados em sistemas ideológicos. Por exemplo, socialismo vs capitalismo.
5. Conflitos causados pelas alterações sociais. As alterações sociais, geralmente provocadas por potências estrangeiras, geram muitas vezes situações de guerra civil.
6. Conflitos entre vizinhos. Por exemplo, conflito entre Etiópia e Eritreia, por questões territoriais.
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Tal classificação, de S. Brucan, não é definitiva mas contributiva para o fenómeno conflitual. Trata-se apenas de uma proposta de classificação de conflitos.
De um modo geral, os motivos que levam um determinado país à guerra com um outro ou mais países são essencialmente políticos e geográficos. Por sua vez, os motivos políticos envolvem igualmente questões económicas, nomeadamente ao nível dos recursos naturais, necessários à sobrevivência dos Estados.

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