My Irreversible Point of View

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Thursday, February 28, 2008

A crise internacional

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1 - O que é a crise

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Segundo o General J. Loureiro dos Santos, encontramo-nos perante uma crise internacional quando se verifica uma perturbação no fluir normal das relações entre dois ou mais actores da cena internacional com alta probabilidade do emprego da força (no sentido de haver perigo de guerra).
A ameaça do emprego da força com alta probabilidade de concretização, assim como a rotura no devir previsível dos acontecimentos, são os dois elementos caracterizadores fundamentais do fenómeno crise.
A crise, mais do que uma situação que progride sempre lentamente atingindo graus extremos de tensão, é uma sequência de interacções que: a) pode surgir na continuidade de uma lenta evolução de uma situação que incluía em si uma contradição que foi amadurecendo, b) mas também pode dar bruscamente, a partir de uma acção concreta de um dos intervenientes que, aparentemente, pode não ter nada com a contradição entretanto bloqueada, embora a vá fazer desencadear. Existirá sempre uma acção concreta - material ou verbal - que provoca a sequência de paradas e respostas (desafio).
A crise envolve sempre um conflito de interesses que é agudizado por um "comportamento de conflito" de um dos actores, a que outro ou outros dão dimensões de essencialidade; isto é, para que se verifique uma crise não bastará que um dos actores tenha comportamento radicalizado, porque se o outro aceitar os termos ou usar como resposta a força, não se chega a observar o desencadear de uma crise, mas sim a capitulação ou a guerra.
A guerra, a capitulação ou entendimento podem também surgir ao fim de um processo de crise, mais ou menos longo.
Durante todo o processo de crise verifica-se uma incerteza por parte dos actores relativamente aos previsíveis comportamentos dos adversários, originada: a) pelo desconhecimento das verdadeiras intenções; b) pela sua camuflagem através do bluff; c) pelas deficiências de comunicações (normais e acidentais) que incluem um certo grau de probabilidade de erros de avaliação. Tudo isto aumenta a tensão e justifica os perigos de guerra.
Durante a crise, o tempo é sempre um importante factor. Normalmente as acções exigem respostas rápidas: a demora na resposta provocá efeitos nos adversários quer directamente (ansiedade, por exemplo), quer indirectamente através das reacções da opinião pública.
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2 - O desenvolvimento de uma crise
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Tipicamente a causa imediata de uma crise é a tentativa de um actor coagir o outro pela ameaça, explícita ou implícita, do uso da força - o desafio. O desafio pode ou não ser estimulado por um catalisador de natureza externa ou de natureza interna.
O catalisador de natureza externa é a percepção, por parte de um actor, do desenvolvimento de uma situação para si intolerável como resultado da acção de outro ou de outros actores.
Razões de segurança externa ou interna, razões ligadas à viabilidade económica ou afrontas à dignidade e prestígio de um actor podem estar na origem de tal intolerabilidade. Este catalisador pode ser designado como catalisador geral - a contradição que provoca o desafio; há normalmente um catalisador específico - um acto individualizado que funciona como provocação e dá muitas vezes pretexto para o desafio.
Uma crise pode surgir: a) como resultado de uma intenção deliberada de a provocar a fim de atingir certos objectivos; b) mas também pode aparecer como atitude de oportunidade em que a possibilidade de atingir outros objectivos resulta de factos estranhos ao actor; c) e ainda se admite que se possa verificar por contágio, com situações de tensão e crise geradoras de um ambiente geral psicologicamente explosivo.
No entanto, devem ser distinguidas, no processo de desencadeamento de uma crise, as causas aparentes das causas reais da crise, sendo as segundas dissimuladas pelas primeiras por um período mais ou menos longo.
Depois de formulado o desafio, a crise só ocorrerá se a parte desafiada resistir, isto é, se ambas as partes considerarem importantes os interesses em jogo e estiverem dispostas a correr grandes riscos para os defenderem.
A resistência pode ser imediata e brutal mas também pode ser matizada e difusa. A resistência implica acções de dissuasão recorrendo às mais diversas atitudes, diplomáticas, psicológicas, económicas e de preparação militar, visando persuadir o adversário a não prosseguir com a concretização da ameaça. Se isso acontece, e o desafiador se convence de tal, a crise aborta. Se não se convence, inicia-se a radicalização do comportamento de conflito, que ultrapassa o limiar da crise, tendo lugar um conjunto de paradas e respostas, constituindo a confrontação.
O período de confrontação, o coração ou o auge da crise, caracteriza-se pela adopção, pelas partes, de medidas características da situaçào de guerra e da situação de paz. A confrontação pode manter-se por um período de tempo curto ou longo (de dias a meses e, por vezes, anos), com momentos de tensão mais acentuada - os picos da crise -, durante os quais se destacam as tácticas coercivas de ambos os lados, como ameaças, alertas, desenvolvimentos militares e acentuada pressão psicológica. A finalidade da actuação de qualquer das partes é persuadir a contrária a recuar face à ameaça da guerra.
Há três possíveis resultados da crise: a guerra, a capitulação de uma das partes ou o compromisso. A guerra significa a passagem das partes a um diverso tipo de interacção.
No caso da crise acabar com a capitulação ou o compromisso, segue-se a fase da resolução, durante a qual são negociados os detalhes do acordo, tornando-se as atitudes de acomodação preponderantes sobre as acções coercivas.
O compromisso e a capitulação reconduzem a linha dos conflitos abaixo do limiar da crise, a um nível normalmente superior ao nível anterior à crise, embora em alguns casos possa ser inferior (em especial quando termina com o compromisso).

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