My Irreversible Point of View

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Saturday, February 23, 2008

A sucessão nas organizações criminosas: de Don Vito a Michael Corleone

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Antes de desenvolver o tema de análise, torna-se imperativo colocar a seguinte questão: será que o crime se adapta, como outras formas de negócio, à sociedade e aos tempos?
Ao longo da história, o crime tem-se manifestado sob diferentes formas, tendo sido cometido não só por indivíduos como também por grupos. Trata-se de um fenómeno que não reconhece quaisquer fronteiras e se encontra presente no tempo e no espaço, isto é, em todas as culturas. Como resultado do fenómeno migratório e um produto da sociedade, o próprio crime não deixa de constituir para muitas pessoas, singulares e colectivas, uma actividade quotidiana, um lifestyle.
Afinal, de que é que se trata o crime? A realidade revela que todas as sociedades se questionam em torno daquilo que é considerado crime e comportamento desviante. Neste sentido, importa esclarecer o seguinte: apesar de quase todos os crimes resultarem de um comportamento desviante, já o comportamento desviante nem sempre corresponde a um crime, embora possa implicar, por parte da sociedade, a repugnância e a marginalização dos indivíduos e/ou grupos que manifestem tal comportamento. Resta-nos indicar, por outras palavras, que existe uma diferença marcante entre aquilo que é considerado crime e o que é considerado eticamente errado.
Uma coisa é bem clara: a definição de crime tem sempre, e obrigatoriamente, uma base social. Neste sentido, a definição do fenómeno criminal recai sobre o modo como a sociedade reage a determinados comportamentos. Podemos, assim, definir crime como toda a conduta humana punível pela lei. Para haver crime é necessário que tenha ocorrido um acto, ou seja, um crime resulta sempre da materialização de um dado comportamento punível pela lei.
Considerando o filme The Godfather (I, II e III), verificamos que o fenómeno criminal assume a forma de crime organizado. Considerado como a forma de crime mais grave ao nível dos seus efeitos na sociedade local, regional ou global, o crime organizado pressupõe a existência de uma organização que tem por fim cometer crimes. A estrutura da organização repousa em relações hierárquicas ou pessoais, as quais permitem aos líderes controlar territórios ou mercados; a organização está envolvida em actividades de branqueamento de capitais, sendo os lucros utilizados para infiltrar a economia legal; a organização apresenta um elevado potencial de expansão para novas actividades lucrativas, mesmo para além das fronteiras nacionais, cooperando com outras organizações criminosas[1].
The Godfather e The Godfather II[2] relatam a história da luta de uma família nova iorquina de origem siciliana, a família Corleone, – na primeira parte, a luta de Don Vito Corleone, líder e fundador da família, e, na segunda parte, a luta do filho mais novo Michael –, afim de preservar o seu império negocial e eventualmente transformar os seus negócios face aos desafios, de natureza assassina, provenientes de outras famílias da máfia relativamente à posição proeminente da primeira. Trata-se, no fundo, da história do velho e do novo mundo – Sicília e Estados Unidos, respectivamente –, desde o Don tradicional ao Don moderno, em que o expoente máximo corresponde à ascensão de Michael à liderança familiar após a morte do pai, no primeiro filme.
No mundo dos Corleone, a máfia ou gang corresponde à própria família que, por sua vez, constitui a unidade operativa na guerra contra os inimigos visando a expansão, a auto-preservação e a auto-perpetuação da organização familiar. Qualquer organização criminosa tem como objectivo permanecer no tempo, isto é, para além da vida dos seus membros. A sua permanência no tempo materializa-se pela capacidade de renovar, isto é, de conseguir atrair novos membros.
O recrutamento de novos membros no seio dos Corleone obedece obrigatoriamente a determinados critérios. O facto de se ser siciliano ou de descendência siciliana e de partilhar os mesmos valores que os veteranos permite prevenir a infiltração na organização por estrangeiros ou por culturas “estranhas” à família Corleone. No entanto, a adesão de um novo membro depende do facto de o padrinho apresentar o primeiro ao resto da organização, tal como se verificou, por exemplo, em Godfather III, com Vincent Mancini, sobrinho do então Don Michael Corleone, após ter manifestado a determinação em trabalhar para o tio, desempenhando a função de bodyguard. A total integração de Vincent não foi imediata, tendo existido um período inicial de provação, acompanhada pela demonstração das suas capacidades pessoais e vontade de cometer crimes, obedecer às normas e ordens da organização e manter o segredo. O principal motivo pelo qual Vincent quis servir-se de protector de Michael residia no conhecimento que aquele tinha das más intenções de Zoey Zasa[3] em relação ao Don.
Entre Don Vito e Michael reside um enorme gap no que se refere à personalidade e actuação de ambos: enquanto o pai, longe dos negócios ilícitos de outras famílias e centrando-se fiel e lealmente apenas nos Corleone e nos respectivos negócios, nomeadamente o jogo e bootlegging[4], adoptava uma postura benevolente mas atenta à complexidade e perigosidade do mundo à sua volta, já o filho, embora inicialmente desinteressado em se envolver naqueles negócios, e dada a sua experiência de guerra na marinha norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial, utiliza a violência armada destinada a atingir os objectivos da família, proteger as respectivas actividades e membros.
O primeiro e decisivo passo da ascensão de Michael ao poder dá-se no primeiro filme, depois de se ter voluntariado na “caça” aos responsáveis pelo assassínio de Luca Brasi, braço-direito dos Corleone, e pela tentativa de assassínio de Don Vito, acabando este por ficar ferido e internado no hospital onde foi vítima de um segundo atentado falhado. Tais responsáveis foram Virgil Sollozzo (“The Turk”) e Captain McCluskey, polícia corrupto e bodyguard de Sollozzo, os quais acabaram por ser consumidos mortalmente pela vingança do novo Don. Tudo aconteceu quando Sollozzo viu recusados, em primeiro lugar, o empréstimo financeiro milionário e, em segundo lugar, protecção política, policial e judicial por parte de Don Vito, uma vez que aquele pretendia fundar o seu império de narcotráfico.
A guerra entre famílias da máfia siciliana nos E.U.A. revelou-se muito mais expansiva e intensa desde que Michael se refugiu na Sicília, permanecendo aí sob a protecção de Don Tommasino, um velho amigo dos Corleone, afim de escapar às autoridades norte-americanas pelo assassínio de Sollozzo e McCluskey. Durante a sua permanência na ilha, o irmão mais velho Sonny viria a ser assassinado por Carlo Rizzi, marido e agressor da irmã Connie Corleone, ao mesmo tempo que um dos bodyguard de Michael colocara uma bomba no seu carro afim de o matar; porém, a vítima mortal da explosão do carro foi Apollonia, uma jovem siciliana com quem Michael tinha casado. De modo a acabar com os assassínios, no sentido de fazer com que aquele regressasse aos E.U.A. em segurança, Don Vito decidiu negociar a paz por meio da reconciliação política com as famílias adversárias, entre as quais Barzini e Tattaglia.
De volta aos E.U.A., Michael casou com a norte-americana Kay Adams e passou a assumir de imediato o controlo da família Corleone, dada a aproximação do pai à idade da reforma, a morte de Sonny e a incapacidade do segundo irmão mais velho Fredo de gerir os negócios da família. Aliás, o regresso do novo Don Corleone é acompanhado pela promessa de uma breve legitimação plena dos negócios da família. Além disso, enquanto Michael planeava instalar a família e os seus negócios em Las Vegas através da aquisição de um casino de um dos maiores hotéis da cidade, as famílias rivais em Nova Iorque planeavam, no entanto, assassiná-lo, não tendo sido, portanto, em vão o facto de Don Vito ter alertado o filho de que alguém no grupo Corleone o iria trair.
Neste contexto, não podemos negar que a existência de um enorme respeito e amor que o velho Don tinha pelo novo Don (e vice-versa) estava, porém, intrinsecamente associada a uma certa dor por parte de Don Vito, o qual acabou mesmo por lamentar, antes da sua morte, a vida de crime intensa levada a cabo por Michael, em vez de uma vida social saudável, pois, tal como foi anteriormente referido, este tinha demonstrado inicialmente o seu desinteresse no envolvimento nas actividades ilícitas da família.
Foi precisamente no funeral do pai que Michael descobriu quem eram os traidores, tendo depois traçado um plano de vingança pela morte do irmão Sonny. Uma vez posto em prática, tal plano foi bem sucedido. Da lista dos traidores constavam Carlo, marido de Connie, e Salvatore Tessio, um velho amigo de Don Vito. Para além dos dois traidores, Michael eliminou quatro líderes de famílias rivais (Barzini, Tattaglia, Cuneo e Stracci) e Moe Greene, um dos grandes detentores de negócios no ramo dos casinos. Uma vez concretizado tal objectivo homicida, Michael passou não só a ser visto como herói pelos membros familiares e não familiares, como também conseguiu recuperar a posição tradicional dos Corleone de família [criminosa] mais influente e poderosa de Nova Iorque, o que contribuiu oficialmente para a sua ascenção à liderança, adquirindo assim o título de Don.
Partindo da questão alusiva aos inimigos dos Corleone, repare-se que as organizações criminosas desempenham funções muito importantes, mesmo críticas, para o bom funcionamento das mesmas, por meio da especialização. Para além da violência privada e da manutenção da segurança, Michael pôs em prática uma outra “especialidade”: a execução de “sentenças” sobre os inimigos da organização. Não nos esqueçamos também que os traidores são automaticamente remetidos para a lista de inimigos. De facto, a “sentença” de morte é a preferida no contexto da criminalidade organizada, sendo rara a execução de outras “sentenças” que não a de morte. Veja-se os exemplos de Carlo e Tessio.
Por outras palavras, Michael tentou a todo o custo eliminar a concorrência, no sentido da preservação e reforço do poder da família, isto é, da hegemonia imperial Corleone, tanto na Sicília como em Nova Iorque.
Muito resumidamente, enquanto o velho Don representa simbolicamente a fase da pré-guerra, já o novo Don, pelo menos nos dois primeiros filmes, simboliza a “tolerância zero”, isto é, a guerra total. Tal não deixa de ser uma simbolização que nos remete para a ideia de que, quer nas relações internacionais quer nas relações pessoais, prevalecem dois tipos de poder: o soft power e o hard power.
O que mais chama a atenção nos dois primeiros filmes é, de facto, a tamanha agressividade e crueldade de Michael que, como patriarca encarregue de assegurar de forma razoável a protecção da família e dos respectivos negócios, acaba por destruí-la, culminando com a dissolução do seu casamento com Kay e, no terceiro filme, a morte da filha Mary e o consequente isolamento e morte de Michael. Tal agressividade atinge o seu climax em Godfather II, sob a forma de assassínios, não sendo os alvos apenas extra-familiares. Fredo Corleone, o único irmão vivo, foi morto por Al Neri[5], sob as ordens de Michael, após ter confessado a este que o tinha traído cooperando com o inimigo devido ao facto de não ter esquecido, muito menos ultrapassado, a humilhação de não ter sido ele próprio a assumir o controlo dos Corleone.
No mundo dos Corleone, a romantização do crime, bem patente na estreita relação Don Vito – Michael, sofre um verdadeiro retrocesso com a morte de Vito, sendo gradualmente substituída pela desintegração moral e desromantização de Michael que, fruto do incessante avanço do capitalismo selvagem na sociedade norte-americana, é provocada pela sua luta pelo domínio social por meio da eliminação de qualquer concorrente e/ou de membros traidores. Embora fiel aos valores instituídos pela antiga geração criminal, a qual testemunhou e foi obrigada a enfrentar a crise financeira de 1929 e a consequente Grande Depressão, a nova geração de Don’s, reflectida por Michael, teve a responsabilidade de trazer ao mundo aquilo que é designado por “crime dos tempos modernos”, moldando-o de acordo com os desafios e novas oportunidades (muitas!) trazidos pela liberalização económica e desenvolvimento tecnológico[6], particularmente o avanço do sistema bancário, o qual tem sido grande facilitador de branqueamento de capitais e de fraude financeira.
Já em Godfather III[7], perante o avanço da idade e da doença de Michael, assiste-se a uma alteração profunda dos seus objectivos e da sua personalidade, apresentando, a partir deste momento, algumas semelhanças com o seu já falecido e benevolente pai. Tal alteração deve-se, em larga medida, ao assassínio de Fredo, acto pelo qual o Don manifesta um enorme desgosto e guarda remorsos que o “assombrarão” até à morte. Ao contrário das partes I e II, nas quais a ordem civil e policial (poder estatal) é substituída pela “(...) iron law of familial self-preservation in the name of the father”[8], na parte III é o poder religioso, isto é, a Igreja que “(...) replaces civil law as the ultimate arbiter of justice. Moreover, the Church is a law above the family”[9].
Arrependido dos crimes que cometera no passado, Michael cumpriu finalmente com a promessa de legitimar os negócios da família, isto é, de transformá-la numa organização legal, através da transferência do negócio do jogo para outras famílias da máfia e criação de uma Fundação de caridade. O seu trabalho de natureza filantrópica foi igualmente valorizado e reconhecido pelo Vaticano, ao qual o Don prestou assistência num valor de 600 milhões de dólares, uma vez que o próprio Vaticano apresentava uma dívida de $700 milhões, fruto da má gestão e corrupção. De facto, não seria novidade nenhuma que o dinheiro concedido por Michael seria apenas para cobrir os “escândalos” no seio da Igreja, especificamente a fraude financeira.
A aproximação de Michael à Igreja fez com que esta oferecesse àquele a oportunidade de controlar uma boa parte da Immobiliare, uma empresa de acentuado prestígio e de grandes dimensões, da qual o Vaticano controlava 25%. Para que tal acontecesse era necessário que o acordo negocial fosse ratificado pelo Papa que, no entanto, acabou por demorar algum tempo devido à sua doença.
A decisão de se aliar à filantropia foi, de certa forma, um grande contributo para a reconstrução da dignidade e reputação do Don aos olhos da sociedade norte-americana e siciliana, o que quer dizer que Michael decidiu finalmente abandonar e ostracizar, em larga medida, a vertente agressiva e criminosa. Porém, tal vertente foi transferida para aquele que viria a ser o personal bodyguard do já idoso Michael: o sobrinho Vincent Mancini, o futuro Don Corleone. Tal como acontecera com Michael durante a sua juventude, Vincent deu o seu primeiro passo em direcção à futura liderança da família quando assassinou um membro da máfia rival, Joey Zaza, o qual tentou tirar a vida a Michael.
Desta vez, a sucessão na família vai contrariar a norma tradicional de transferência de poderes pai-filho, dando assim lugar à transferência tio-sobrinho. A norma tradicional não é cumprida uma vez que Anthony, filho de Michael, para além de completamente desinteressado em se envolver nos negócios do pai, se manifesta determinado em seguir o seu sonho, a música. Curiosamente e não menos importante, Vincent é sobrinho ilegítimo de Michael, fruto da relação extramatrimonial de Sonny com Lucy Mancini, uma grande amiga de Connie. Outro facto curioso consiste no facto de Vincent e Mary, filha de Michael, pelo amor que sentem um pelo outro, assumirem o seu namoro diante da família, com o qual Michael discorda plenamente.
Um dos momentos em que Michael se revela transparente e consciente de si mesmo, características típicas do pai, consiste na ida à Igreja afim de se confessar. “Michael is introduced to a good priest, Father Lamberto. (…) For the first time in his adult life, makes a confession including the fact that he ordered his brother’s death”[10]. O Don pede igualmente perdão à ex-mulher Kay pelos actos cometidos no passado. Michael só se tornou chairman da Immobiliare após o Padre Lamberto ter substituído o antigo Papa devido à sua morte.
Por fim, Michael revelando-se cada vez mais velho e frágil optou por se reformar e, consequemente, tornar o sobrinho em Don Corleone, impondo a condição de se afastar definitivamente de Mary, no sentido de assegurar que esta vivesse permanentemente em segurança, longe da guerra das máfias. Todavia, numa tentativa de assassinar Michael, o qual teve a protecção de Vincent, os respectivos rivais acabaram por alvejar Mary a tiro, tirando-lhe a vida, vítima de uma vida recheada de intrigas levada a cabo pelo pai. Devastado pela morte da filha, Michael retirou-se definitivamente da vida de crime “refugiando-se” na Sicília, onde viria a morrer sozinho e abandonado devido à sua doença prolongada e ao desgosto pela vida.
Em suma, se realmente as organizações criminosas visam a sua sobrevivência no tempo e no espaço, não têm outro remédio senão a adaptação plena à(s) sociedade(s) onde operam, o que permite um maior e melhor aproveitamento das oportunidades oferecidas por aquela(s).



BIBLIOGRAFIA

BROWNE, Nick, Francis Ford Coppola’s Godfather Trilogy, Cambridge University Press, 2000.
CALDERON, Michelle, “The Evolution of Organized Crime: The Mafia”, Anai Rhoads, 10 de Maio de 2006 (www.anairhoads.org/criminaljustice/orgcrime.shtml, consultado a 05 de Janeiro de 2008).
CALVI, Fabrizio, A Europa dos padrinhos: a Máfia ao assalto da Europa, Lisboa, Terramar, 1995. EDWARDS, Adam; GILL, Peter, Transnational Organised Crime: Perspectives on global security, London, 2003.
FERNANDES, Luís Miguel Fiães, Uma perspectiva estratégica sobre a criminalidade organizada transnacional [Texto policopiado], ISCSP, Lisboa, 2002.
STANDING, André, Rival Views of Organised Crime, Monograph 77, Institute for Security Studies, South Africa, 2003.

[1] Adam Edwards & Peter Gill, Transnational Organised Crime: Perspectives on global security, London, 2003, p. 7.
[2] O primeiro filme ocorre em 1945-1955. Já o segundo ocorre nos finais dos anos 50, embora com alguns recuos no tempo, nomeadamente o retrato da infância de Vito Corleone, em 1901, e a fundação de uma família criminosa – os Corleone –, em 1917-1925.
[3] Zaza detinha o controlo do que restava do antigo império criminal dos Corleone.
[4] Transporte ilegal, ou contrabando, de bebidas alcoólicas.
[5] Al Neri era o caporegime dos Corleone, ou seja, chefe do grupo de operacionais ou “soldados” que contém cerca de dez elementos.
[6] Por exemplo, o desenvolvimento de novas armas, tendencialmente mais sofisticadas.
[7] O filme ocorre nos finais da década de 70.
[8] Nick Browne, Francis Ford Coppola’s Godfather Trilogy, Cambridge University Press, 2000, p. 15.
[9] Idem, ibidem, p. 16.
[10] Idem, ibidem, p. 10.

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